As pesquisas participativas vêm sendo utilizadas em vários países atualmente. Para o projeto VIDAVIVA, foi essencial buscar um modelo de pesquisa de fácil implementação, podendo, inclusive, ser implementado pelos próprios sindicatos. A pesquisa deveria garantir que fossem contempladas as especificidades de cada categoria e, principalmente, o envolvimento dos trabalhadores em seu processo. Para o projeto, é imprescindível que, ao realizar os levantamentos de dados, os trabalhadores atuem como sujeitos e não como objetos de análise da própria pesquisa. Outra questão fundamental é garantir que esse processo favoreça uma percepção coletiva dos problemas, tornando-se um poderoso instrumento de organização e estímulo a ações coletivas, possibilitando a construção de propostas de ação para a mudança.
Um das metodologias que fazem parte do recurso Pesquisa Participativa é a do "Mapping". Ela possibilita que os trabalhadores estabeleçam a relação entre o adoecimento e seu trabalho, abrindo espaço para que sejam construídas soluções coletivas. A idéia é possibilitar a criação de um espaço coletivo em que a experiência do trabalhador possa ser articulada. Além dos conceitos dominantes existentes sobre a vida, o trabalho e a saúde, o trabalhador tem os seus. Porém, muitas vezes esses conceitos são subjugados, desvalorizados ou ridicularizados pelos discursos dominantes. O Mapping cria um espaço coletivo e confiável, permitindo que surja e se desenvolva:
Mapa do corpo
Os trabalhadores marcam, num corpo coletivo, desenhado em tamanho natural, que problemas de saúde apresentam e que estão relacionados ao trabalho. A técnica permite uma análise coletiva do nível de adoecimento num mesmo local de trabalho. Permite ainda aos trabalhadores romperem o silêncio sobre seu quadro de saúde. Afinal, muitos trabalhadores temem o desemprego se expuserem que estão doentes. A técnica simples garante o anonimato dos grupos e permite o levantamento dos problemas relacionados à saúde. Nessa fase, não só são apontados danos físicos como também os problemas psíquicos causados pela tensão e pressão permanentes no trabalho.
Mapa do local de trabalho
O próximo passo é o desenho do local de trabalho. Em grupo ou individualmente, os trabalhadores detalham as condições de trabalho a que estão submetidos. Esta fase não só propicia uma visão minuciosa dos postos de trabalho como também possibilita que os trabalhadores comparem mudanças ocorridas ao longo dos anos. Esta análise permite identificar a necessidade de contratação de mais trabalhadores, um provável excesso de horas-extras e outras condições que estão diretamente relacionadas às condições de saúde. Desenhando como é o seu local de trabalho, os(as) trabalhadores(as) relacionam suas tarefas desenvolvidas com os problemas ligados à sua saúde, apontados anteriormente no corpo coletivo.
Mapa do nosso mundo
À proporção que o trabalho ocupa nosso tempo, pensamento e energia, ele pode passar a exercer um papel central na nossa vida. Por meio do Mapeamento do "Nosso Mundo", descobrimos os efeitos que o trabalho provoca em nossa existência. Os impactos do trabalho nas relações familiares, na vida social. No mapa do "Nosso Mundo", encontraremos uma visualização coletiva desses impactos.
Plano de ações
Na última fase do mapping, os trabalhadores levantam os problemas detectados nas fases anteriores e estabelecem prioridades para a busca de soluções. São definidas ações de curto, médio e longo prazos. Esse planejamento deve garantir que os trabalhadores não só definam as ações, mas também se envolvam no encaminhamento das tarefas. Normalmente, há o costume de delegar apenas à direção dos sindicatos a responsabilidade pelo encaminhamento das ações e soluções dos problemas. O mapping permite romper com esta visão e estimula os trabalhadores a participarem ativamente da tomada de decisões e das ações para mudar a realidade do trabalho.
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